Blog de César Salgado

Os papeis terman do que lles poñen, e internet nin che conto…

Voz Salud Mental

Hoxe recibín unha mensaxe por Facebook que convida a participar na enquisa dunha campaña chamada “Voz Salud Mental”. Esta campaña vén asinada por unha empresa de marketing farmacéutico (Clover SGM), dúas asociacións sen ánimo de lucro (FEAFES e AMAFE) e dúas empresas farmacéuticas (Lundbeck e Otsuka). [1]

A campaña so consiste, de momento, nun formulario de enquisa. Dubido que estes axentes (tan diversos e mesmo antagónicos, podería pensar alguén non avisado) usen este medio por interesárense realmente nas opinións das persoas diagnosticadas de esquizofrenia (ou de psicose) e dos seus coidadores. Máis ben, con este medio seguen a usar a pacientes e familias para fomentar unha impresión favorable no público. E as asociacións, en vez de loitar pola desalienación e a liberación dos que sofren, venden a súa independencia ó deus Mercado.

Nada sorprendente, pois é o seu negocio, Clover SGM ten entre os seus clientes a moitas empresas farmacéuticas [2]:

FEAFES (Confederación Española de Agrupaciones de Familiares y Personas con Enfermedad Mental) recibiu cartos das empresas farmacéuticas AstraZeneca (a través da fundación homónima; fabricante de quetiapina (Seroquel), entre outros), Ferrer, Janssen (fabricante de haloperidol e risperidona, entre outros), Lundbeck, Otsuka e Pfizer. [3]

AMAFE (Asociación Madrileña de Amigos y Familiares de Personas con Esquizofrenia) recibiu cartos das empresas farmacéuticas AstraZeneca (a través da fundación homónima), Janssen e Roche. [4]


Referencias:

[1] Páxina web de Voz Salud Mental, consultada o 28 – XI – 2014.

[2] Sección “clientes” da páxina web de Clover SGM, consultada o 28 – XI – 2014.

[3] Sección “quiénes somos” da páxina web de FEAFES, consultada o 28 – XI – 2014.

[4] Sección “quiénes somos” da páxina web de AMAFE, consultada o 28 – XI – 2014.


¿Que teñen de malo as empresas farmacéuticas? ¿Son malos os psicofármacos?

Os psicofármacos, usados correctamente, fan moito ben a moitas persoas; pero usados incorrectamente poden facer moito mal.

As empresas farmacéuticas fan negocios multimillonarios e as súas decisións están tan desconectadas da ética como as de calquera sector do actual capitalismo salvaxe. As empresas farmacéuticas aproveitan un sistema de patentes perverso, unha política reguladora permisiva, unha ciencia médica cada vez menos independente e un público desinformado para logra-lo seu obxectivo: os fármacos que producen deben ser prescritos e consumidos no maior número posible, sen importar que consecuencias se deriven dese consumo. Por exemplo, algúns fármacos teñen unha boa relación custo-beneficio se os usan adultos en tratamentos puntuais, pero non se os usan nenos ou se facemos deles un tratamento crónico.

As empresas farmacéuticas gastan o dobre en publicidade que en investigación. As empresas farmacéuticas promoven modelos anticientíficos sobre as enfermidades e as súas causas. As empresas farmacéuticas esaxeran as bondades terapéuticas dos seus fármacos cando as súas patentes están en vigor. As empresas farmacéuticas posúen moitos laboratorios, presionan a políticos e funcionarios mediante lobbies, dominan mediante subvencións as revistas especializadas e os congresos médicos, contratan como investigadores e asesores a profesionais destacados, desacreditan activamente a profesionais críticos.

A saúde é para moitos un negocio. En consecuencia, diante de cada tratamento que apareza no mercado, diante de cada información que encontremos, debemos preguntarnos cui prodest, debemos pensar que o raposo vai coidar do galiñeiro se non miramos nós por el.

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28 Novembro 2014 Posted by | Galicia, Human Rights, Medications, Mental Health, Politics, Propaganda, Schizophrenia, Spain | Deixar un comentario

Cannabis e saúde mental (Associação Brasileira de Psiquiatria)

Boa parte da sociedade permanece pasiva diante do consumo de cannabis. Non se alarma nin pola ausencia de garantías sanitarias na distribución de substancias psicoactivas. Parece asumir acriticamente mitos recorrentes como que esta droga é inofensiva, ou que non provoca dependencia.

Pero a ciencia indica o contrario: o cannabis provoca dependencia en moitos consumidores, e o consumo de cannabis (excluído o uso antiemético ou anticonvulsivo baixo supervisión médica) pode ser perigoso. Os grupos máis vulnerables son as persoas con enfermidades mentais e os mozos. Especialmente preocupantes son os datos que relacionan o cannabis coa aparición de síntomas psicóticos e esquizofrenia.

Copio a continuación extractos do artigo “Revisão Científica: Maconha e Saúde Mental”, publicado na páxina divulgativa ABP Comunidade pola Associação Brasileira de Psiquiatria:

[…]

Maconha: formas de uso e modificações genéticas da planta

A maconha é uma mistura de folhas e flores verdes ou secas de uma planta chamada Cannabis sativa. Existem mais de 200 termos ou gírias para maconha, incluindo “baseado” ou “erva” . Ela é normalmente fumada como um cigarro ou em um cachimbo especial. Atualmente a maconha vem sendo consumida também de maneira “mesclada”, combinada com outras drogas, como o crack e cocaína. Alguns usuários também misturam a maconha com comida ou fazem chá de suas folhas.

O princípio ativo da maconha é o THC (delta-9-tetrahydrocannabinol). A quantidade de THC em uma dose pode variar intensamente de acordo com a procedência da droga e a forma como é consumida. Nos últimos 20 anos, a sofisticação do cultivo da maconha com técnicas hidropônicas tem aumentado muito a potência de todos os derivados da Cannabis. Nos anos 60 e 70 um cigarro comum de maconha continha cerca de 0,5 a 1% de THC, atualmente um baseado feito de skankweed ou netherweed (sub-espécies de Cannabis sativa) pode conter cerca de 20-30%. Assim, o usuário contemporâneo de maconha na forma fumada, pode estar exposto a doses cerca de 15 vezes mais fortes de THC que os jovens dos anos 60 e 70.

Este fato pode ser bastante relevante se considerarmos que os efeitos do THC no cérebro variam de acordo com a dose consumida, e que grande parte dos estudos com maconha foram realizados na década de 70, utilizando doses de 5 a 25 mg de THC, o que torna obsoleto muito do que se acreditou sobre os riscos e conseqüências da maconha.

[…]

Maconha e síndrome de abstinência

Por muitos anos acreditou-se que o uso de maconha não desenvolvia tolerância e não levava à síndrome de dependência. Verificou-se mais tarde que em alguns casos existia sim a tolerância, mas seus efeitos eram fracos. A partir de meados da década de 70, evidências de desenvolvimento de uma marcante tolerância a vários efeitos da maconha emergiram em diversos estudos com animais e, posteriormente, em humanos. Na cessação do uso, os animais tolerantes que tiveram o receptor canabinóide tipo 1 (CB1) bloqueados apresentaram sinais e sintomas de abstinência, decorrentes de processos moleculares também afetados por outras drogas.

A síndrome de abstinência de maconha em humanos tem sido descrita por sintomas que se iniciam já nas primeiras 24 horas após a cessação do uso, apresentando-se por meio de sintomas inicialmente emocionais e depois comportamentais. São eles: sintomas de irritabilidade, ansiedade, agressividade, angústia, agitação psicomotora, diminuição do apetite e perda de peso; alterações do sono como insônia e pesadelos; cansaço; desconforto generalizado com dores musculares, cefaléia e taquicardia e “fissura”. A gravidade da síndrome foi maior naqueles que tinham também outros transtornos psiquiátricos e uma freqüência grande de consumo.

Mais recentemente, com o aumento do consumo e dos problemas relacionados, dos casos de dependência, da descrição de um sistema canabinóide endógeno e do desenvolvimento de antagonistas canabinóides, começaram a ser desenvolvidos estudos melhor controlados e com maior rigor metodológico. Esses novos estudos têm evidenciado uma significativa prevalência de síndrome de abstinência entre os usuários de maconha.

Existe uma dependência da maconha?

Nos EUA houve um aumento significativo das taxas de usuários nocivos e dependentes entre os usuários de maconha entre os anos de 1991-1992 e 2001-2002 (30,2% e 35,6%, respectivamente). Este aumento pode estar relacionado, em parte, ao aumento do potencial adictivo da maconha, ou seja, houve um amento de 66% no teor de THC na amostra de maconha analisada em 2001-2002 (5,11%) comparativamente a de 1991-1992 (3,01% de THC). Num estudo prospectivo, iniciado em 1970, com acompanhamento por 12 anos, mostrou-se que 1 em cada 4 usuários de maconha desenvolveram síndrome de dependência no período compreendido entre a adolescência e a idade adulta jovem.

Já descrevemos evidências de uma síndrome de abstinência de maconha, mas também acumulam-se evidencias de tolerância a mesma através de estudos em animais e em humanos. Gatley e Volkow (1998) mostraram, em animais, que a administração crônica de canabinóide resultou no desenvolvimento de tolerância em relação aos efeitos agudos, incluindo os efeitos motores. Em relação aos seres humanos os sinais de aumento de tolerância são bem documentados e, regra geral, aparecem com doses acima de 3mg/kg/dia.

Outros critérios aceitos para o diagnóstico da síndrome de dependência da maconha, e evidenciados em estudos populacionais, são:

  • A substância é consumida com freqüência em quantidades maiores ou durante períodos mais longos do que se pretendia (consumo maior que o pretendido);
  • Existe um desejo persistente ou esforços sem sucesso para eliminar ou controlar o uso da substância (tentativas frustradas de interrupção do uso);
  • Uma grande quantidade de tempo é despendida nas atividades necessárias para obtenção da substância, no uso e na recuperação de seus efeitos (tempo gasto com a droga);
  • Existe o abandono de importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreacionais em função do uso da substância (droga como prioridade);
  • O uso da substância é continuado, apesar do conhecimento de ser um problema persistente ou recorrente físico ou psicológico que tenha sido causado ou exacerbado pela substância (uso da droga a despeito dos problemas por ela causados).

Embora seja clara a evidência de uma síndrome de dependência da maconha nem todo usuário tende a desenvolvê-la. Ainda que haja extenso debate sobre a existência de uma síndrome de dependência da maconha, não se pode negar que se acumulam inúmeras evidências da mesma.

[…]

Existe uma relação entre maconha e esquizofrenia?

Vários estudos examinaram a relação entre o uso de maconha e a esquizofrenia a partir de evidências recentes provindas de estudos clínicos e epidemiológicos. Estudos clínicos monitorando portadores de esquizofrenia demonstram uma relação entre o consumo de maconha e a exacerbação dos sintomas psicóticos, pior resposta à medicação antipsicótica, e um pior curso clínico da doença (mais hospitalizações, mais recaídas e pior aderência ao tratamento). Quatro grandes estudos prospectivos em três países acharam uma associação entre o consumo de maconha e o risco de desenvolver esquizofrenia ou sintomas psicóticos. Esta associação é mais intensa em sujeitos que utilizaram maconha antes dos 15 anos de idade e com história de sintomas psicóticos. Em conjunto, os achados sugerem que a maconha pode precipitar um quadro de esquizofrenia em indivíduos vulneráveis e exacerbar quadros psicóticos em portadores de esquizofrenia.

Uso de maconha e ansiedade

O relato de ansiedade constitui o sintoma adverso mais comum após o uso agudo da maconha e sintomas ou transtornos de ansiedade co-ocorrem muito freqüentemente em usuários da droga. Paradoxalmente indivíduos relatam a redução de ansiedade como motivação para o uso da maconha. Estas constatações conflitantes poderiam ser explicadas pela observação de que os efeitos do principal constituinte ativo da cannabis (THC) sobre a ansiedade parecem ser dose-dependentes, com baixas doses demonstrando propriedades ansiolíticas e doses mais altas sendo ansiogênicas. Além disto, os outros canabinóides presentes na planta influem em sua atividade e um deles, o canabidiol, apresenta propriedades ansiolíticas.

[…]

10 Setembro 2013 Posted by | Addictions, Mental Health, Schizophrenia | Deixar un comentario